quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A deusa Tailtiu

TAILTIU
Deusa da terra e da agricultura



“Grande foi a façanha feita por Tailtiu com a ajuda do machado, a reivindicação da terra de cultivo do até então bosque, por Tailtiu, a filha de Magmor.”

Introdução

                Dando continuidade aos textos dos deuses gaélicos, escrevo um agora sobre uma divindade diferente, saindo um pouco da esfera dos Tuatha Dé Danann[1], ainda que seja uma deusa grandemente ligada à esta tribo. Como é um texto diferente daqueles já escritos com esta mesma temática, sua estrutura também será diferente – as partes “Nomes e títulos”, “Família” e “Mitos” compreendem um apanhado de informações mitológicas e históricas que encontramos em alguns dos principais textos mitológicos da Irlanda, enquanto que a segunda parte, ainda que tenha as informações citadas anteriormente e menções aos trabalhos de acadêmicos, será composto de especulações e associações intuitivas, que é o que normalmente chamamos de “gnoses”.

                Tailtiu, conhecida no mito irlandês como a rainha dos Fír Bolg[2] e mãe adotiva de Lug, é uma divindade com características bastante ctônicas e está provavelmente associada com a agricultura. Embora tenha uma mitologia relativamente curta, sua relação com um antigo festival irlandês, o Lugnasad, e com um deus bastante conhecido e cultuado dentro do politeísmo gaélico (Lug), fazem dela uma divindade que requer uma atenção especial. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Feliz Lugnasad!



Desejo a todos um feliz Lugnasad! O festival é celebrado tradicionalmente no dia primeiro de agosto, e ele representa o início da colheita de grãos, frutas e legumes e o início do outono. Anualmente, uma feira era dada pelo rei da Irlanda para todos o seu povo, a fim de celebrar os bens da colheita e para dar uma oportunidade do povo vender suas mercadorias, pagar dívidas, comer, beber e dançar... O Lugnasad foi criado pelo deus Lugh em honra à sua mãe adotiva, Tailtiu, a deusa da terra, para homenageá-la após ter morrido de exaustão limpando uma planície da Irlanda para tornar propícia às práticas agrícolas. Hoje, celebramos Lugh, o doador das colheitas, e Tailtiu, a  generosa que nos abençoa com seus bens abundantes. Separei alguns materiais para vocês celebrarem e conhecer mais sobre o festival e algumas receitas perfeitas para o clima de colheita, e mais uma vez, que todos tenham uma incrível celebração e que Tailtiu possa abençoar tanto nossas colheitas materiais como emocionais!

História e mitologia 
Lùnastal, de Annie Loughlin 
Celebrando o Lùnastal, de Annie Loughlin (em inglês)
Os dindshenchas de Tailtiu 
Os dindshenchas em prosa de Tailtiu
Os dindshenchas de Carmun 

Os deuses
Receita de pão de trigo
Receita de cally irlandês

Pão de trigo para o Lugnasad

Lugnasad sem pão, não é Lugnasad! Seja para servir de alimento ou ser ofertado, o pão é uma peça fundamental nas celebrações do Lugnasad. Como um festival da primeira colheita – que obviamente inclui a colheita de grãos – o pão era o sinal da fartura de grãos colhidos para os gaélicos, seja o trigo, o centeio, a cevada ou aveia, onde todos eles podem ser transformados magicamente em pães, ou outras variações, como os famosos bannocks. A receita que vou ensinar hoje é o do pão de trigo, feito com ingredientes que qualquer um deve ter em casa.
  
Pão de trigo do Lugnasad


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Oração para Tailtiu

Para Tailtiu

“Tailtiu do bom coração, filha de reis distantes,
Esposa amada de Eochaid, o estável
Que viveu pela perda, que resistiu à tempestade da guerra
E permaneceu firme apesar da tristeza e do sofrimento.
Tailtiu, mãe adotiva do esperto e astucioso Lugh,
Gentil que cuidou bem d’Ele que tem a mão longa,
Como se fosse seu próprio filho; em agradecimento
Pelo seu amor e cuidado, em honra de sua bondade
E de seu fervor, ele decretou que os jogos devem ser realizados,
Que todos devem festejar e se divertir em seu nome,
Recordando sua virtude e o seu valor. Ó Deusa,
Tailtiu do campo e da fazenda, eu te louvo e te honro.”


Fonte: Blog “Field of Stones: Prayer to Tailtiu”. Disponível em: < http:// http://fieldsofstone.tumblr.com/post/27814957689/to-tailtiu>. 

sábado, 22 de julho de 2017

A saga de Fionn

Fonte: MACCULLOCH, J.A. “The Religion of the Ancient Celts”. 1911. Disponível em: <http://sacred-texts.com/neu/celt/rac/index.htm>.

CAPÍTULO VIII.
A saga de Fionn

                Os personagens mais proeminentes da saga de Fionn, depois da morte de Cumal, o pai de Fionn, são Fionn, seu filho Oisin, seu neto Oscar, seu sobrinho Diarmaid com seu ball-seirc, ou “ponto da beleza”, o qual nenhuma mulher poderia resistir; Fergus, famoso por sua sabedoria e eloquência; Caoilte mac Ronan, o veloz; Conan, o personagem cômico da saga; Goll mac Morna, o assassino de Cumal, mas depois o devoto amigo de Fionn, além de outros diversos personagens menos importantes. Suas atividades, como as dos heróis de outras sagas e epopeias, são principalmente a caça, a luta e o sexo. Eles personificam bastante as características célticas – vivacidade, bravura, bondade e sensibilidade, tal como a vanglória e o temperamento impetuoso. Embora seja datada de tempos pagãos, a saga mostra pouco sobre as crenças pagãs, mas revela muita coisa em relação aos hábitos daquele período. Aqui, como sempre foi no início do celtismo, a mulher é mais que uma posse e ocupa um lugar relativamente importante. As diversas partes da saga, como aquelas do Kalevala finlandês, sempre existiram separadamente, nunca como uma epopeia completa, embora sempre tiveram uma certa relação umas com as outras. Lonnrot, na Finlândia, foi capaz, adicionando alguns vínculos próprios, de dar uma unicidade ao Kalevala, e se MacPherson se contentasse em fazer isso pela saga de Fionn, ao invés de inventar, transformar e servir o todo à maneira do sentimental século XVIII, ele teria trazido um benefício para a literatura céltica. As várias partes da saga pertencem à séculos diferentes e vem de autores diferentes, todas, no entanto, imbuídas com o espírito da tradição de Fionn. Não pode ser dada uma data para os inícios da saga, e adições foram feitas até o final do século XVIII, com o poema de Michael Comyn de Oisin em Tír na n-Og sendo uma parte genuína dela como qualquer uma das partes mais antigas. Seus conteúdos são, em parte, escritos, mas a maior parte é oral. Grande parte da saga está em prosa, e há bastante literatura poética do tipo “balada”, tal como o Märchen [NT: palavra alemã para “contos de fadas”] da criada linha universal puramente céltica com Fionn e o resto do bando heróico como os protagonistas. A saga personifica os ideais e as esperanças celticas; ela foi a literatura do povo céltico na qual se passava todas as riquezas da imaginação céltica; um mundo de sonho e fantasia na qual eles poderiam entrar em qualquer hora e se divertirem. Contudo, a respeito de sua imensa variedade, a saga preserva uma certa unidade e é provida de uma estrutura definida, recontando a origem dos heróis, os grandes eventos nos quais eles se envolvem, suas mortes ou aparições finais e o término do bando de Fionn.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Os métricos Dindshenchas: Carn Máil

Notas preliminares: Este dindshenchas (histórias que contam a origem dos lugares na Irlanda), relata a história de Lugaid Mal, um dos filhos do rei Daire, que foi exilado da Irlanda e posteriormente morreu em uma planície em Ulster, em um lugar que ficou conhecido como Carn Máil (Cairn de Mal), em sua homenagem. No entanto, o poema conta principalmente a história de quatro dos sete filhos do rei Daire, todos com o primeiro nome 'Lugaid', que caçaram um gamo encantado que seu pai possuía. Após a caçada do gamo, eles vão até uma casa, onde aparece uma gigante horrível que pede para se deitar com um deles, caso contrário, ela devoraria todos. Um deles, Lugaid Loeg, aceita dormir com ela, e então, a mulher horrível se transforma em uma linda donzela. A mulher em questão tem algumas semelhanças com Cailleach e com a Soberania - que a princípio parece horrível, mas depois se revela maravilhosa para aqueles que a merecem. Uma outra versão desta história está registrada no Cóir Anmnan.      

Poema/história 29
Carn Máil

1. Agradável é o tema que cai aos meus cuidados, o conhecimento não de um único lugar apenas, enquanto meu espírito lança luz para o leste, aos lugares secretos do mundo.

2. Como é que nenhum de vocês exigem, se ele busca tecer a teia do conhecimento, de onde, em qualquer época, veio o nome de Carn Mail na oriental Planície de Ulaid?

3. Lugaid Mal, ele forjou uma grande ruína, foi exilado de Erin: com sete cargas de navios, o príncipe viajou de Erin até a terra de Alba.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Os métricos Dindshenchas: Carmun

Poema/história 1
Carmun

1. Escutai, homens de Leinster dos túmulos,
Ó tropa que governa Raigne dos direitos santificados,
Até que vós obtenhais de mim, reunida em todas as mãos,
A nobre lenda de Carmun, alta em fama!

2. Carmun, local de encontro de uma feira hospitaleira,
Com relvados planos para corridas:
As tropas que costumavam vir para sua celebração
Conquistaram em suas brilhantes corridas.

3. Uma sepultura de reis é seu nobre cemitério,
Especialmente querido para as tropas de alta categoria;
Sob os montes das assembleias estão muitos
De sua tropa de uma linhagem sempre honrada.

sábado, 15 de julho de 2017

Os métricos Dindshenchas, vol. 1

Boa noite! Vocês agora podem acessar o arquivo "Os métricos Dindshenchas, vol. 1", traduzido do irlandês médio por Edward Gwynn, e do inglês, por mim, na seção "Mitologia" aqui do blog, ou clicando na imagem abaixo. 

O primeiro volume compreende 6 poemas/histórias, com os 5 primeiros focando na história de Temair (Tara), e o último, em Achall (uma colina perto de Tara).

Espero que seja útil e que Brigit e Ogma abençoem a todos!

 Os métricos Dindshenchas, vol. 1
Os métricos Dindshenchas, vol. 1
    

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A loucura de Suibhne

A loucura de Suibhne
Buile Suibhne

                Quanto à Suibhne, filho de Colman Cuar, rei de Dal Araidhe, nós já contamos como ele ficou vagando e fugindo das batalhas. Aqui está a causa e a ocasião através dos quais estes sintomas e crises de loucura e êxtase se apoderaram dele além de todos os outros, do mesmo modo, o que aconteceu com ele posteriormente.

                Existia um certo nobre e distinto santo patrono na Irlanda: Ronan Finn, filho de Bearach, filho de Criodhan, filho de Earclugh, filho de Ernainne, filho de Urene, filho de Seachnusach, filho de Colum Cuile, filho de Mureadhach, filho de Laoghaire, filho de Niall. Ele era uma homem que cumpria o comando de Deus e carregava o jugo da piedade, e sofria perseguições pelo amor de Deus. Ele era o próprio servo digno de Deus, pois era seu costume crucificar seu corpo pelo amor de Deus e conquistar uma recompensa para sua alma. Um escudo acolhedor contra os ataques malignos do diabo e contra vícios era o gentil, amigável e vigoroso homem.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Feliz Grianstad an tSamhraidh!

Oferendas para Áine Chliar na minha celebração.

          Feliz Grianstad an tSamhraidh! No hemisfério norte, é comemorado o solstício de verão por volta dos dias 21-22 de junho. Apesar de não ser certo que o solstício de verão tenha sido cultuado como um festival pelos gaélicos pré-cristãos (por ter uma suposta influência nórdica e pela ausência do festival nos manuscritos irlandeses), hoje o celebramos como tal, visto que se tornou parte da tradição pela variedade de costumes associados com o dia em todos os países gaélicos. Tradicionalmente, ritos para Áine, com procissões de tochas, eram feitos em Munster, na colina de Knockaine, e na Ilha de Man, os ilhéus pagavam o “aluguel” da ilha para seu dono, Manannán mac Lir, também como agradecimento pela proteção e por suas bênçãos. Fogueiras eram acesas representando o poderio solar dessa época do ano, ervas eram colhidas na meia-noite, pois se acreditava que elas tinham poderes mágicos na noite mais curta do ano e haviam procissões para colinas e lagos, onde as festividades aconteciam – regadas com muita comida, bebida, danças, competições e narrativas, sempre ao redor da fogueira principal do festival ou de um mastro de madeira conhecido como craebh.